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06/09/2026

Cenário de vitória de Romeu Zema em 2026: análise macroeconômica condicional

Análise técnica de um governo Zema a partir do Plano Implacável registrado no TSE e de dados oficiais do BCB, IBGE e agências de rating. O único programa da corrida cuja aritmética fiscal fecha — e o de menor viabilidade congressual.

Aviso — conteúdo eleitoral. Este texto analisa um cenário condicional ligado à eleição presidencial de 2026, cujo primeiro turno ocorre em 4 de outubro. Não constitui previsão eleitoral, não declara apoio, preferência ou oposição a qualquer candidatura, não é propaganda eleitoral e não foi produzido ou financiado por campanha, partido ou coligação. A análise de um cenário específico não implica juízo sobre sua desejabilidade nem sobre sua probabilidade. Este texto integra uma série com análises equivalentes das demais candidaturas competitivas. Quem decide é o eleitor.

Aviso — natureza do conteúdo e mercado financeiro. Material exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação, sugestão ou aconselhamento de investimento, nem análise de valores mobiliários nos termos da Resolução CVM nº 20/2021. Não indica compra, venda ou manutenção de qualquer ativo, não projeta preços, níveis, cotações ou retornos, e não deve ser usado como base isolada para decisões financeiras. As referências a classes de ativos ou setores descrevem canais de transmissão econômica e posicionamento de terceiros já divulgado publicamente, não sugestões de alocação. Cenários políticos e macroeconômicos são incertos por natureza; desempenho passado não garante resultado futuro. Consulte um profissional habilitado antes de decidir.


Nota metodológica e uma ressalva de probabilidade

Mesmo método das análises anteriores: o "Plano Implacável" registrado no TSE como âncora de intenção declarada, dados oficiais do BCB, IBGE e agências de rating, declarações públicas, e sinalizações de mercado divulgadas até 6 de setembro de 2026.

A mesma ressalva que abre a análise anterior, e por aqui ela pesa ainda mais. Este é um cenário de baixa probabilidade, com uma restrição operacional adicional. Na pesquisa Quaest de 2 de setembro, Zema registrou 1% das intenções de voto, contra 2% em 13 de agosto. E a campanha dispõe de cerca de R$ 5 milhões do fundo eleitoral — 13,5% dos aproximadamente R$ 37 milhões destinados ao Novo, que por sua vez é uma das menores bancadas do Congresso. Recursos de campanha e tempo de propaganda são função da representação parlamentar, o que cria um problema circular para partidos pequenos.

A análise trata o cenário com seriedade porque ele contém o programa fiscal mais consistente da corrida. Mas a probabilidade é parte do quadro.

E o esclarecimento de sempre: "o mercado prefere X" não é o mesmo que "X é melhor para o país". Esta análise é o caso em que a distinção mais importa.


1. Condições iniciais

Herança macroeconômica idêntica à de qualquer vencedor: déficit do governo geral projetado pela Fitch em 8,6% do PIB em 2026 contra mediana de 3,5% nos pares BB, dívida bruta acima de 80% do PIB, juros pagos em 7,7% do PIB em 2025, ajuste de 2% a 2,5% do PIB estimado pela Moody's como necessário para estabilizar a trajetória. Selic em 14,00%, expectativas desancoradas, reservas de US$ 367,6 bilhões, conta corrente de 2,46% do PIB coberta por IDP de 3,28%.

Quatro condições distinguem este cenário.

Há histórico executivo verificável. Zema governou Minas Gerais de janeiro de 2019 até renunciar em 22 de março de 2026 para disputar a Presidência, sendo sucedido pelo vice Mateus Simões. Foi reeleito em 2022 no primeiro turno com 56,18% dos votos. Em junho de 2026, seu governo privatizou a Copasa, a companhia de saneamento do estado. É o único candidato da corrida com sete anos de execução contínua de uma agenda liberal em um ente subnacional de grande porte — o que torna o cenário mais avaliável e menos hipotético que os demais.

A sinalização de equipe é a mais alinhada ao mercado financeiro. O plano econômico foi coordenado por Carlos Alexandre da Costa, ex-secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade no Ministério da Economia sob Paulo Guedes, hoje no conselho de administração da Copasa. Ele e Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Capital e ex-diretor do Banco Central, são os nomes cotados para a Fazenda. Nenhum convite foi formalizado; a campanha afirma que o escolhido terá perfil liberal e compromisso com controle de gastos.

O candidato declara não pretender reeleição. O plano registra que ele não teme medidas impopulares por essa razão. Tecnicamente, isso elimina o incentivo a suavizar o ajuste nos anos finais — e, simetricamente, encurta o horizonte de capital político para dois anos.

A base congressual é a menor entre as candidaturas analisadas. Este é o ponto que condiciona tudo o mais, e a seção 6 trata dele.


2. O que o programa efetivamente propõe

Diagnóstico. Carga tributária em torno de 32,4% do PIB. Dívida acima de R$ 10 trilhões, perto de 80% do PIB, contra 71% em 2023. Juros consumindo cerca de R$ 1 trilhão por ano. Custo Brasil estimado em R$ 1,7 trilhão anuais. 53 mil servidores acima do teto constitucional, a um custo aproximado de R$ 20 bilhões por ano. 38,5 milhões de trabalhadores informais, ou 37,5% dos ocupados, no trimestre encerrado em janeiro de 2026. Gasto com pessoal em 13,5% do PIB, contra 9,3% na média da OCDE. Ampliação da máquina de 23 para 38 ministérios.

Fiscal.

  • Choque fiscal como condição prévia a todo o resto.
  • Reforma da Previdência "de forma definitiva", envolvendo estados, municípios, previdência rural e militar, com mecanismo de reajuste automático da idade mínima vinculado à expectativa de vida.
  • Revisão do crescimento automático das despesas obrigatórias e das regras que expandem o gasto sozinhas, inclusive emendas parlamentares.
  • Reforma administrativa com redução de ministérios, corte de comissionados e revisão de autarquias e fundações.
  • Fim de supersalários, verbas indenizatórias acima do teto, férias de 60 dias e aposentadoria compulsória como punição.
  • Metas progressivas de redução da carga tributária que forcem o corte de gastos necessário para atingi-las, invertendo a lógica atual.
  • Manutenção de superávits primários que permitam o pagamento da dívida.

Estatais e crédito. Privatização de todas as empresas estatais — única candidatura a propor isso. Desverticalização da Petrobras, com separação de produção, refino, transporte e logística em empresas distintas para permitir entrada de concorrentes. Fim do preço político dos combustíveis. Eliminação do monopólio estadual na distribuição de gás natural. Redução gradual dos programas de crédito direcionado, incluindo linhas subsidiadas do BNDES — também a única a propor isso. Venda de imóveis e ativos públicos sem uso, com metas anuais. Ampliação de PPPs em todos os setores.

Trabalho. Regime alternativo à CLT, de adesão consensual, em que as partes podem negociar remuneração variável, periodicidade de pagamento, jornada diária acima de 8 horas respeitado o limite de 44 semanais, dias trabalhados e divisão de férias. Não é extinção da CLT: é regime paralelo. Zerar encargos sobre o equivalente a um salário mínimo na contratação de quem está há mais de um ano na informalidade. Fim do monopólio sindical e da contribuição obrigatória. Desregulamentação de profissões sem risco à saúde ou segurança.

Social. Bolsa Família mantido e unificado, mas condicionado: adultos aptos permanecem apenas enquanto buscam emprego, estudam ou se qualificam, com suspensão para quem recusar oferta formal sem justificativa, excetuados responsáveis por cuidados de crianças pequenas, idosos e pessoas com deficiência. Prêmio de R$ 5 mil às famílias que deixarem o programa por superação do limite de renda. "Sócios do Brasil": depósito de R$ 1.000 para cada brasileiro ao nascer, em fundos de ações, com saque aos 18 anos.

Inserção externa. Sair do BRICS, de forma diplomática, preservando relações comerciais. Transformar o Mercosul de união aduaneira em zona de livre comércio, para que o Brasil possa assinar acordos sozinho. Ingressar na OCDE. Alinhar gradualmente as tarifas de importação à média dos países em desenvolvimento à medida que o Custo Brasil for reduzido.


3. A aritmética — e a conclusão que incomoda os dois campos

A identidade:

Δd ≈ d × (r − g)/(1 + g) − s

Com d ≈ 0,80, custo real implícito de 7% a 8% e g de 1,95%, a estabilização exige primário de 4% a 5% do PIB; com juros reais em 4,5%, a exigência recua para os 2% a 2,5% estimados pela Moody's.

Este é o único dos cinco programas registrados cuja aritmética fecha. A afirmação não é elogio político; é contabilidade.

A razão é que ele ataca o bloco certo pelo instrumento certo. A reforma previdenciária com idade automática vinculada à expectativa de vida é, em valor presente, a medida fiscal de maior magnitude disponível a um governo brasileiro — porque a Previdência é o item que cresce e a indexação demográfica é autocorretiva, não exigindo nova decisão política a cada década. Estendê-la a estados, municípios, regime rural e militar amplia a base. Somadas a supersalários, reforma administrativa, revisão de renúncias e receita de privatizações, as medidas alcançam, em desenho, a ordem de grandeza que as agências apontam como necessária.

Os demais programas não chegam lá. O de continuidade não apresenta o ajuste; o do PL reduz receita em quatro frentes enquanto promete ajustar; o do PSD identifica o alvo correto sem especificar o instrumento. Registrar isso é exigência de simetria analítica — a mesma que obrigou a apontar a fragilidade dos outros três.

E agora a contrapartida, que é igualmente dura.

O custo de transição é real e recai sobre pessoas, não sobre planilhas. Um choque fiscal dessa magnitude produz contração de demanda pública no primeiro e provavelmente no segundo ano. Recessão técnica é o cenário central, não o adverso. Com desemprego hoje em 6,1%, perto do menor patamar da série recente, o ponto de partida é favorável — mas o custo existe e é concentrado em quem tem menos colchão.

A receita de privatização é de capital, não corrente. Abate dívida uma vez; não resolve déficit primário recorrente. O plano não a trata como solução permanente, e faz bem.

A redução de tarifas de importação tem ganhos difusos e perdas concentradas. É o problema clássico da liberalização comercial: o consumidor ganha pouco cada um, o setor exposto perde muito e se organiza. O plano condiciona sensatamente a abertura à redução prévia do Custo Brasil, o que é a sequência correta — e também a que mais depende de tudo o mais dar certo antes.

A transição da previdência de estados e municípios tem custo fiscal próprio e enfrenta resistência federativa que o plano não endereça.


4. Impacto doméstico

Crescimento. Trajetória em J. Contração no curto prazo pela retirada de demanda pública e pelo ajuste de emprego no setor público; recuperação no médio prazo se o prêmio de risco ceder e o investimento privado responder. A literatura sobre consolidações fiscais sugere que o formato importa: ajustes pelo lado da despesa permanente tendem a ser menos contracionistas que ajustes por receita, e ajustes acompanhados de queda de juros são substancialmente menos custosos. As duas condições favoráveis estão presentes no desenho. A terceira — credibilidade suficiente para os juros caírem rápido — depende do Congresso.

Inflação. Desinflação por demanda no curto prazo. O fim do preço político dos combustíveis remove uma fonte de distorção e adiciona volatilidade ao índice: preços passam a seguir o mercado internacional, para cima e para baixo. A eliminação do monopólio estadual de gás e a abertura energética são desinflacionárias em regime permanente.

Emprego e trabalho. O regime alternativo à CLT é a proposta trabalhista mais significativa da corrida, e vale descrevê-la com precisão porque circula distorcida: não extingue a CLT, cria um regime paralelo de adesão consensual. A evidência internacional sobre regimes duais é mista e conhecida — eles tendem a ampliar a formalização na margem e a criar segmentação entre trabalhadores protegidos e não protegidos. Zerar encargos sobre um salário mínimo para quem vem da informalidade é a medida com melhor relação custo-benefício do conjunto e menor controvérsia técnica.

Crédito — o ponto de maior divergência com todos os demais. Reduzir gradualmente o crédito direcionado, inclusive linhas do BNDES, é a medida que mais aumentaria a potência da política monetária. Crédito segmentado obriga o Copom a praticar Selic mais alta para obter o mesmo aperto, porque parte da economia não responde à taxa básica. Desmontar essa segmentação é, tecnicamente, uma das vias mais diretas para juros de equilíbrio menores.

O custo é igualmente claro e imediato: crédito agrícola, habitacional e de longo prazo para infraestrutura hoje depende dessas linhas, e o mercado privado brasileiro não tem, no curto prazo, capacidade de substituí-las integralmente nos mesmos prazos e custos. A transição precisaria ser gradual, e o plano diz que seria — sem especificar o cronograma.

Social. A condicionalidade do Bolsa Família tem literatura favorável em programas de ativação bem desenhados e desempenho ruim quando a fiscalização é frágil ou o mercado de trabalho local é raso. O prêmio de saída ataca corretamente a armadilha de renda na margem de elegibilidade. O "Sócios do Brasil" é de custo fiscal modesto e efeito distributivo de longo prazo.


5. Impacto externo — a agenda mais consequente e mais arriscada

Sair do BRICS é a proposta de política externa com maior consequência econômica em toda a corrida, e recebeu atenção pública desproporcionalmente pequena.

O efeito direto sobre fluxos comerciais é limitado, porque o BRICS não é uma área de livre comércio e o plano propõe preservar as relações comerciais. O efeito relevante é de sinalização e alinhamento, e tem dois lados.

Do lado americano, é o cenário de desescalada tarifária mais provável. As sobretaxas seguem vigentes, podendo alcançar 37,5% sobre parte das exportações brasileiras, com investigação da Seção 301 aberta e negociações sem resultado até 31 de agosto. A origem declarada do conflito é política, e um alinhamento explícito reduziria o custo de negociação.

Do lado chinês, é o cenário de maior exposição. A China é o maior parceiro comercial do Brasil e o principal determinante dos termos de troca e do superávit comercial, projetado em torno de US$ 76 a 78 bilhões para 2026. Uma saída institucional do bloco é um sinal mais forte do que qualquer reaproximação com Washington entregaria em valor. A conta comercial dessa troca é provavelmente negativa, e o plano não a discute — é a lacuna analítica central do documento na frente externa.

Mercosul e OCDE. Transformar a união aduaneira em zona de livre comércio permitiria ao Brasil negociar sozinho, o que é vantagem real — e exigiria consenso dos sócios, que têm incentivos opostos. Argentina e Paraguai perdem proteção no mercado brasileiro. Não é uma decisão unilateral brasileira.


6. Viabilidade congressual — a restrição que define o cenário

Nas três análises anteriores, a conclusão recorrente foi que a variável decisiva é a composição do Congresso. Aplicado aqui, esse critério produz o resultado menos favorável da corrida.

Praticamente todo o programa exige emenda constitucional: reforma previdenciária em todos os entes, idade automática, privatização de Petrobras e bancos públicos, revisão de vinculações, novo regime trabalhista paralelo. Emenda exige três quintos das duas casas em dois turnos.

O Novo tem uma das menores bancadas do Congresso. A reforma da Previdência de 2019, substancialmente menos ambiciosa que a proposta aqui, consumiu o capital político de um governo inteiro em seu primeiro ano, com uma base parlamentar incomparavelmente maior.

Este é o núcleo do cenário, e precisa ser dito sem eufemismo: o programa com a melhor aritmética da corrida é também aquele com a menor probabilidade de ser aprovado. Um governo eleito com mandato estreito e sem bancada enfrentaria a escolha entre negociar a agenda até descaracterizá-la ou não aprová-la.

A alternativa que o plano sugere implicitamente — um mandato único, sem preocupação com reeleição, disposto a gastar todo o capital em dois anos — é coerente como estratégia, e historicamente frágil. Governos sem base não aprovam emendas por determinação; aprovam por coalizão, e coalizão custa exatamente as moedas que este programa pretende cortar.


7. Canais de transmissão para o mercado financeiro

Esta seção descreve canais econômicos e posicionamento de terceiros já divulgado publicamente. Não projeta níveis, não sugere alocação e não constitui recomendação.

Não está precificado, e por uma razão diferente do cenário anterior. No caso de Caiado, a ausência de precificação é de desatenção. Aqui, há atenção — Carlos Alexandre da Costa e Luiz Fernando Figueiredo são interlocutores conhecidos do mercado, e a agenda é a mais próxima do que o consenso da gestão de recursos defende — mas a probabilidade atribuída é baixa demais para sustentar posição.

O JPMorgan reduziu ações brasileiras a neutro citando volatilidade eleitoral, e gestoras como Legacy, Ibiuna e ARX declararam postura defensiva. Nenhuma dessas posições foi montada com este cenário em vista.

A assimetria aqui é a maior da corrida, nas duas direções. Se a candidatura ganhasse tração, a reprecificação partiria de zero sobre a agenda mais pró-mercado em disputa. E o risco de decepção subsequente seria igualmente o maior, porque a distância entre o que o programa promete e o que o Congresso aprovaria é a mais larga entre as quatro candidaturas — o inverso exato do que ocorre no cenário do PL, onde o preço já embute mais do que o documento contém.

Vale o registro metodológico que atravessa a série: em eleições brasileiras, a sinalização de equipe econômica move preços mais que o plano de governo, porque o plano é promessa e o nome é restrição. Neste cenário, o nome e o plano apontam na mesma direção — o que é raro, e é a razão pela qual a leitura de mercado seria forte apesar da aritmética congressual ser fraca.

Câmbio. O dólar fechou em R$ 5,1065 em 2 de setembro, com queda de 6,97% no ano, apreciação dirigida pelo diferencial de juros de cerca de 10,4 pontos entre a Selic de 14% e o Fed em 3,50%-3,75%. Um ajuste fiscal crível funcionaria por canal oposto ao carry: permitiria queda de juros, reduzindo o diferencial, com efeito ambíguo sobre a moeda no curto prazo e favorável no longo, via prêmio de risco. As âncoras seguem sólidas: reservas de US$ 367,6 bilhões e conta corrente coberta por IDP. Sinal de curto prazo: fluxo cambial negativo de US$ 3,095 bilhões em agosto até o dia 28, com o BC vendendo 50 mil contratos de swap.

Curva de juros. É o ativo que responderia com mais intensidade a este cenário, e o teste seria rápido: a reação inicial precificaria a agenda, e o primeiro placar de votação de emenda constitucional precificaria a viabilidade. A distância entre esses dois preços seria a melhor medida disponível do desconto de governabilidade. Como sempre: a inclinação informa mais que o nível.

Bolsa. O levantamento do BTG Pactual junto a investidores mapeou preferência por financeiras e estatais em cenários de alternância. Este é o único programa em que a tese de estatais corresponde ao que o documento de fato propõe — privatização integral, incluindo Petrobras, Caixa e Banco do Brasil. E vale o de sempre: o Ibovespa é estruturalmente pró-commodity, e seus maiores pesos correlacionam mais com minério, petróleo e demanda chinesa do que com o resultado eleitoral — o que, neste cenário específico, é uma observação duplamente relevante, dada a exposição da agenda externa a Pequim.


8. Cenários condicionais

Base — agenda parcialmente aprovada, ajuste parcial. Reforma administrativa e supersalários aprovados por serem menos custosos politicamente; reforma previdenciária ampla negociada até uma versão diluída; privatizações avançando caso a caso e lentamente; crédito direcionado reduzido na margem. Contração no ano 1, recuperação modesta no ano 2, prêmio de risco cedendo menos do que a agenda original justificaria. Resultado fiscal melhor que o dos demais cenários, e ainda assim aquém do necessário.

Benigno. Requer coalizão que o resultado eleitoral não entregaria naturalmente — um Congresso eleito em onda, com maioria disposta a aprovar emendas de alto custo político no primeiro ano. Se ocorresse, é o cenário de maior queda de juros estruturais da corrida, pela combinação de ajuste previdenciário permanente com desmonte do crédito segmentado.

Adverso. Dois gatilhos. O primeiro é a paralisia: agenda apresentada, rejeitada, e um governo sem plano B, com o custo recessivo do aperto inicial sem o benefício da reforma permanente. O segundo é externo: a saída do BRICS cobrar preço em Pequim antes que o ganho tarifário em Washington se materialize, deteriorando termos de troca justamente durante a contração doméstica.


9. Onde esta análise pode estar errada

A ressalva de probabilidade é central, não decorativa. Com 1% nas pesquisas e cerca de R$ 5 milhões de fundo eleitoral, este cenário exige uma reviravolta que os dados não sustentam.

Há um histórico executivo que esta análise não auditou. Sete anos de governo em Minas Gerais e a privatização da Copasa em junho de 2026 são fatos verificáveis; os resultados fiscais e sociais desse período não foram avaliados aqui e merecem exame próprio antes de qualquer extrapolação para o plano federal. Governos estaduais operam sob restrições distintas — não emitem moeda, não fazem política monetária e contam com transferências federais.

Nenhum convite para a Fazenda foi formalizado.

A afirmação de que "a aritmética fecha" é sobre desenho, não sobre execução. Um programa que fecha no papel e não passa no Congresso entrega menos ajuste que um programa modesto e aprovado. A seção 6 é tão importante quanto a seção 3, e lê-las separadamente produz conclusão errada.

Números devem ser reconferidos nas fontes primárias — BCB, IBGE, Tesouro e relatórios das agências — antes de qualquer uso consequente.


Fechamento da série

Com as quatro análises, um padrão aparece, e ele é a conclusão mais útil do conjunto: a ordenação das candidaturas pela consistência aritmética do programa é aproximadamente inversa à ordenação por viabilidade de aprovação — e também por probabilidade eleitoral.

O programa cuja conta fecha não tem bancada. O que tem a melhor capacidade de coalizão não especifica o instrumento. Os dois que disputam de fato a eleição são os que menos enfrentam a aritmética: um por omissão, outro por composição.

Quem sair de qualquer um dos quatro textos com a impressão de que existe um candidato com a conta fechada e o Congresso para aprová-la leu mal — não o texto, mas a eleição.


Fontes. Plano de governo registrado no TSE (DivulgaCandContas); Boletim Focus e estatísticas do setor externo do Banco Central; ata e comunicado do Copom; PNAD Contínua e IPCA (IBGE); relatórios e declarações públicas de Fitch Ratings e Moody's Ratings; pesquisa Quaest registrada no TSE; noticiário sobre composição de equipe econômica e financiamento de campanha publicado entre julho e agosto de 2026; comunicações públicas de gestoras. Dados consultados até 6 de setembro de 2026.

Disclaimer. Conteúdo informativo e educacional. Não é recomendação de investimento nem análise de valores mobiliários nos termos da Resolução CVM nº 20/2021. Não é propaganda eleitoral, não foi produzido ou financiado por campanha, partido ou coligação, e não declara apoio a nenhuma candidatura. O ContextoQuant não se responsabiliza por decisões tomadas com base neste material. Cenários políticos são incertos e desempenho passado não garante resultado futuro.